Toda busca artística começa com uma obsessão que força o olhar a retornar,
incansavelmente, à mesma margem. Para mim, esse ponto de fixação foi a força do
motivo: a necessidade de trabalhar incessantemente em torno dos mesmos padrões, dos mesmos
espaços, até que o tema se esgotasse e deslizasse suavemente para a abstração.
Durante quase quarenta anos, caminhei ao encontro das árvores — essas sentinelas da
paisagem —, buscando fazê-las dialogar com o horizonte. Esse conjunto de obras formou-se por si só,
quase sem que eu percebesse, ao ritmo de passos repetidos e encontros familiares, tal
como fotografamos amigos ou membros da própria família. Na realidade, essa viagem
incansável pelo mundo tinha um único objetivo: buscar "amigos-árvores",
voltar para saudar aquelas às quais eu havia me afeiçoado e registrar novamente o seu retrato,
para honrar a sua presença silenciosa.
Ao final desta Pavana da Palmeira, o que resta? Imagens depuradas, silenciosas, banhadas por uma
poesia etérea. O preto
e branco não capturou apenas formas; ele pôs em cena silhuetas isoladas
cujo impacto expressivo exerce um poder de atração. O motivo solitário, sobretudo quando se trata de uma
palmeira,
possui sempre algo de primordial, de doloroso e de atemporal. Sozinho em meio
ao espaço, esse motivo evoca apenas a ausência e o quase silêncio. Mas, nessa nudez
gráfica, ele consegue estruturar o espaço e tornar o mundo mais desejável.
Ao escolher o preto e branco para esta pavana, minha intenção foi dar continuidade a esse
diálogo estético, intelectual e sensível. A fotografia atribui à árvore múltiplos
símbolos: resiliência, solidão, misticismo ou a luta ambiental. Mas, para além
do símbolo, a árvore é um elemento revelador. Ela pode manifestar a personalidade de quem
a observa e transmitir sua própria percepção do mundo.
Cada palmeira aqui fotografada é um convite a imitar seu movimento: erguer a
cabeça para vislumbrar, além das nuvens, esse céu imenso, constante e sempre límpido. Ao
restaurar essa coerência essencial entre o baixo e o alto, entre nossas raízes terrestres
e nossas aspirações celestiais, a pavana chega ao fim. O futuro reside inteiramente nesse gesto
simples: voltar o olhar para o alto, para a copa, a fim de melhor guiar nossos passos de hoje.



























