Sou autor fotógrafo, arquiteto e engenheiro.
Reivindico uma fotografia baseada numa abordagem interdisciplinar: artística, claro, mas também morfológica,
social e ambiental, atenta à história dos territórios e às suas mutações, e orientada para as questões
ecológicas.
Envolvido na transmissão de conhecimentos, fui professor universitário até 2019, supervisei numerosos
projetos na França e no exterior, e lecionei arquitetura e urbanismo (sustentáveis), assim como fotografia
na Universidade de Toulouse.
Tive várias fases de vida contrastantes pelo seu conteúdo e pelo seu local (França, Guadalupe, Estados
Unidos, Brasil), mas duas constantes ao longo deste percurso:
- a curiosidade fotográfica, iniciada por um avô que me ofereceu a minha primeira câmera aos 13 anos
(sei que pode parecer muito ingênuo), e que me abriu a uma prática que nunca mais me deixou: fotografo, logo
existo;
- a curiosidade científica para sentir e compreender o nosso ambiente e apreender as fronteiras do
conhecimento.
Estas duas facetas têm em comum o questionamento do mundo tornando visível o invisível, e oferecendo um
outro modo de ver.
A minha formação de arquiteto moldou a minha maneira de apreender o espaço, as formas e a luz, e de compor,
de “calpinhar” metodicamente minhas imagens.
A minha formação de engenheiro moldou a minha maneira de compreender a relação entre o homem e o seu
ambiente construído ou não construído, e de sintetizar o pensamento até o essencial.
Esta dupla formação permitiu-me afastar-me dos cânones e dos academicismos da fotografia.
A minha abordagem é orgânica, fotografo avançando, atento às condições da cena.
A essência do meu trabalho reside na forma como o sujeito se dissolve no espaço.
Carrego em mim a pregnância do motivo, uma consciência aguçada do espaço, da luz e da matéria. As minhas
fotos são muito arquiteturadas. Apreendo o médium fotográfico numa démarche próxima da concepção
arquitetônica: transformar as limitações em oportunidades.
Sou um fervoroso defensor do “Low Tech”, o melhor caminho para concentrar a ideia nela mesma. Dizer
muito com pouco. Quanto mais limitados os meios, mais forte é a expressão. Procuro impor silêncio ao olhar.
Inscrevo-me também no tempo longo, senão na intemporalidade.
Atribuo grande importância à narrativa. Poder contar uma história é algo que sempre me fascinou. Assim,
as minhas fotografias, mesmo as mais abstratas, contêm um sentido antropomórfico subjacente, fazendo
referência a narrativas profundamente humanas e existenciais, tais como a solidão, a fragilidade da vida, o
medo da morte.
Por fim, gosto de me descrever como um fotógrafo-percursionista. O meu olhar está sempre em viagem. Sou
apaixonado por viajar no sentido de ir ao encontro do outro, de cultivar o olhar, de perder os seus
referenciais. Citaria um provérbio tuaregue: “Viajar é ir de si a si, passando pelos outros.”
Organizei cerca de quarenta exposições pessoais na França e no exterior, assim como alguns vídeo
mappings.
Publiquei uma dezena de obras pessoais ou coletivas.
Atualmente trabalho nas pré-maquetes de uma dezena de livros fotográficos pessoais.